6 de set de 2015

Dirty Love Game, Prólogo: Fantasma do Capiroto

I hate, You hate, I hate, You love me. I hate everything about you. Why do I love you?
Era apenas mais um sábado comum. As aulas na faculdade voltavam segunda, porém nenhum teste ou trabalho estava próximo, o que significa que poderia passar o meu dia a vontade, coisa que não faço a muito tempo. As gotas de chuva estavam caindo sobre o vidro do quarto, o vento estava entrando por uma parte da janela que havia esqueci de fechar, um clima razoavelmente agradável. Olhei no relógio, ainda era cedo. Acordei ainda um pouco sonolento, lavei minhas mãos e fui para a cozinha, cambaleando um pouco devido a falta de sono, onde comecei a fazer o café da manhã. Nada de muito requentado, apenas um sanduíche simples e um café preto. Tudo o que eu mais precisava agora. Comi o sanduíche de pé, enquanto o café ainda estava sendo preparado. Parecia que meu estômago nunca havia sido preenchido antes, pois a sensação de alívio foi indescritível. Isso é o efeito de uma semana de provas preparatórias. Quando o café ficou pronto, desliguei a cafeteira, e nesse exato momento, a campainha tocou, o que foi estranho, afinal não estava esperando visitas. Abri a porta, e me deparei com a pessoa que menos queria ver na minha vida. Meus olhos não queriam acreditar, prefiro pensar que era apenas uma aparição, ou até mesmo um fantasma. Só poderia estar tendo um pesadelo. Em frente aos meus olhos, meu professor de história do ensino fundamental, Yoshito Atsushi, ou em outras palavras, o homem que pisou no meu coração com um salto alto.

-Olá!-Disse ele, meu corpo inteiro tremia com a sua voz. Ele não poderia estar me procurando, deve ter se engando. Por favor que seja isso. -Estou procurando Kyomi Ryota, ela está?- Perguntou, com um sorriso. Esse nome..Tão nostálgico..O nome que eu usava quando ainda tinha aquela aparência afeminada.
-Entra -Respondi, em um tom seco e de indiferença. Ele passou pela porta, tirou os sapatos na entrada e se sentou no sofá da sala de estar. Parecia bem acomodado. Essa pessoa me causa repulsa. Juro que estava desejando sua morte nesse exato momento. -O que veio fazer aqui Yoshito?- Quando eu disse isso, os olhos deles se arregalaram, acho que não sabia da minha mudança.
-Desculpe, ela já contou de mim?- Perguntou, parecia confuso. Acertei, ele ainda não sabe.
-O que? Eu sou Kyomi Ryota. -Iria continuar, se não tivesse sido bruscamente interrompido. Que falta de educação. Tomara que engasgue com o ar e morra.
-N-NÃO! Ela é uma garota! V-Você é um homem! -Lá vamos nós de novo, a mesma história..Qual o problema de ser hermafrodita meu povo?! Porque todo mundo reage da mesma maneira?!
-Olha, não sei o que veio fazer aqui, e nem quero saber, o simples fato de você existir me causa repulsa, e por mim, poderia ficar o resto da minha vida sem te ver. Não sei também o que ainda não sabe de mim, mas eu sou hermafrodita, e optei aos 18 anos por ser homem, fiz uma cirurgia e cá estou. Agora por favor, queira levantar essa bunda do sofá e levar ela para fora da minha casa. -Disse tudo o que queria, bom, quase tudo, não poderia dizer que estava esperando sua morte, isso seria muito mal-educado, mesmo que ele merecesse.
-Nossa..Nossa..-Acho que agora fiz ele ir embora! Obrigada Senhor por ter optado ser homem!-Bom, pouco me importa-Espera..O que?-Eu vim aqui pela Kyomi e não vou sair sem ela, sendo você homem ou mulher agora, não me importo, nem mesmo um pouco. -Que vontade de estrangular esse professor. Sério.
-Olha aqui, eu não quero saber de favores, eu te odeio, entendeu? Quanto antes sair daqui melhor será para mim e para você! -Isso Ken, continue assim, vai que ele vá embora. Chega de favores agora, você já foi trouxa o suficiente, não é mesmo?
-Pouco me importa se me odeia ou não, eu ainda te amo! -Espera..Que..O que..Minha linha de raciocínio quebrou, jurei ter ouvido ele dizer que me ama. Isso é impossível certo? Atsushi era hétero, certo? Isso mesmo, ele apenas me usou! Sambou com o salto quinze do demônio no meu coração e o jogou fora, como um pedaço de merda.
-Aham, leve esse eu te amo para fora da porta, você apenas me usou para trair sua esposa. O que há com esse "ainda te amo"? Você nunca me amou, agora por favor, mecha-se, nunca mais quero ver sua cara n- Interrompido, novamente, mas dessa vez não por sua voz, não por palavras, por um beijo. 
Os seus lábios estavam encostados no meu, sua língua estava pedindo passagem. Suas mãos estavam no meu rosto, me puxando cada vez para mais perto. Espere, eu não posso! Empurrei Yoshito, o que fez ele cair no sofá. Seu rosto estava pálido, e eu já estava cambaleando para trás. O que tinha acontecido nesse exato momento? Só pode ser brincadeira, não é mesmo Deus?! Já devo ter desmatado a floresta Amazônica inteira com tanto papel de trouxa que eu já fiz!
-Entendi..- Finalmente!Obrigado! -Mas escuta aqui, Ken Ryota -Espere, em nenhum momento eu havia dito meu novo nome não é? Ele já sabia?! Só estava esperando uma confirmação?! Argh! Realmente, eu o odeio. -Eu não vou desistir -Disse isso, calçou seus sapatos e fechou a porta.
Assim que ouvi o barulho da porta batendo, escorreguei na parede da sala, porque ele apareceu? Justo agora, que eu tenho uma namorada, um apartamento próprio, uma vida boa. Porque o mundo é tão injusto?! 
Não adianta pensar nessas coisas agora..Vou tomar meu café, e usar esse dia para reorganizar minha cabeça.
Acompanhe a fanfic agora no Spirit: Clique aqui!

Nenhum comentário

Postar um comentário