8 de set de 2015

Dirty Love Game, Capítulo 7: Emoções

Acordei. Quando olhei para o lado, estava dormindo abraçado com Yoshito. Onde eu estava com a cabeça quando o envolvi dessa maneira? Não banque o retardado Ken, você sabe muito bem o que acontece quando você gosta de alguém. Isso mesmo, você perde. Ou você perde para a morte, ou você perde por ser um babaca, que é exatamente o que você é. Acabei tendo algumas memórias indesejadas, coloquei as mãos na cabeça, tentando esquecer, lágrimas de desespero escorriam pelo meu rosto. Soltei um grito, não quero me lembrar! Não quero me lembrar! A única pessoa da minha família que sempre me apoiou totalmente nas minhas escolhas, sempre me ajudou, e eu fui um babaca por nunca ter falado que amava ela! Odeio pessoas que falam "eu te amo" tão facilmente! Elas não entendem! Não entendem como é perder uma pessoa sem poder falar nada! Não entendem o desespero, a culpa! Simplesmente não entendem como é amar uma pessoa a ponto de se condenar por ela! Pessoas que falam eu te amo tão facilmente assim são falsas! Tudo é uma grande mentira!
No meio da minha paranoia, senti uma mão acariciando meus cabelos. Yoshito. Tentei virar, mas as lágrimas continuaram a escorrer, até que iam gradativamente cessando. Quando finalmente pararam, pude ver entre os meus dedos o rosto dele, pasmo. Estava assustado. Pensando bem, deve ter sido muito difícil para Yoshito continuar me perseguindo, mesmo sabendo que agora sou um homem. Para ele deve ter sido difícil amar uma pessoa que o traía. Acho que, posso tentar confiar nele, mais uma vez. Tirei as mãos da minha cabeça e o abracei. Encaixei sua cabeça no meu pescoço. Minhas pernas estavam ao lado de sua cintura, já que ele estava de joelhos. Poderíamos facilmente sermos confundidos com um casal, não é mesmo? Ouvi ele sussurrar no meu ouvido está tudo bem, eu estou aqui.
Aquelas palavras pesaram no meu coração, e causaram o mesmo efeito de um tiro. O que eu fiz para ele me amar? Eu sou muito sortudo para ter um amor tão puro vindo de outra pessoa, não mereço ele. Preciso deixar isso claro. Eu acho que tenho que deixá-lo livre, não é? Mas como dizer isso? Vai parecer que estou o rejeitando, com certeza. Meu coração estava confuso. Não consigo me imaginar com ele ao meu lado, mas me dói imaginar minha vida sem ele. Pela primeira vez, penso que não quero ele como meu amigo, mas também não o quero como namorado. Por favor, que seja mentira. Recupera a sanidade Ken! Isso foi apenas uma ilusão, porque você pensou naquilo. Isso. Nada demais. Sai do conforto dos seus braços, e antes que pudesse falar algo, ele me interrompeu.
-Desculpa perguntar, mas eu tenho uma chance com você ou não?
-Como é? -Perguntei, incrédulo.
-Você me entendeu. Já estou ao seu lado um tempão, mas parece que só me vê como um conhecido, no máximo um amigo. Nunca me olhou com desejo, e o mais próximo que chegou foi me abraçar, e eu acho que foi por causa dessa memória que teve. -Direto. Deu para perceber que não queria estar dizendo aquilo, ele estava aliviando o coração. Lágrimas brotaram dos seus olhos.
-Acho que se você me ama, deve tentar ir mais adiante. -Eu disse, não podia responder ainda.
-Essa resposta não foi clara. Vou perguntar de novo, você consegue me imaginar ao seu lado? Mesmo que não seja muito, tem algum sentimento romântico ou uma atração sexual em relação a mim no seu coração? O que sente ao me imaginar com outra pessoa? -As lágrimas já estavam escorrendo do seu rosto nesse momento. Quando ia responder, ele interrompe, de novo. -Não precisa responder, eu to indo. -Ele saiu do quarto, de pijama. Eram nove horas da manhã.
Eu poderia muito bem deixá-lo ir, não é? Mas porque meu coração dói tanto? Droga! Saí correndo atrás dele, mas já não o via no corredor. Pensa Ken, onde Yoshito iria se estivesse deprimido? Já sei! O terraço! Pera como eu sei disso? Ah foda-se. Corri para o elevador, apertei o botão do décimo oitavo andar, que era um andar apenas para se bronzear, tinha até uma piscina. Era acima da cobertura, o território conhecido como terraço. Meu corpo tremia de ansiedade, espero estar certo. Quando a porta abriu, pude ver a silhueta de Yoshito. Estava encostado na beirada. Corri até ele e o abracei por trás. Não durou nem um minuto, já que fui empurrado. Ele tentou correr, mas dessa vez o segurei pelo pulso, e em um só movimento, o beijei. Um beijo curto e calmo. Quando nos separamos, o seu rosto estava confuso, e eu estava em pânico.
-SERÁ QUE DA PRA ME ESCUTAR, DROGA?! -Gritei, separando-me dele, mas dessa vez ele não correu. -EU TO TOTALMENTE CONFUSO, NÃO CONTIGO TE DAR UMA RESPOSTA AGORA, MAS NÃO É COMO SE EU NÃO QUISESSE TE RESPONDER. NÃO CONSIGO ME IMAGINAR AO SEU LADO, MAS SE TE IMAGINO COM OUTRA PESSOA MEU CORAÇÃO DÓI, MAS QUE MERDA! NÃO TE QUERO COMO AMIGO, MAS TAMBÉM NÃO QUERO COMO NAMORANDO OU AMANTE, EU ESTOU TOTALMENTE CONFUSO, QUE BOSTA, PORRA! TENTA ENTENDER, A PESSOA QUE ANTES VOCÊ ODIAVA E QUERIA VER MORTA DE QUALQUER JEITO, VOLTA DO NADA E VOCÊ AINDA CONSEGUE RIR COM ELA! -Liberei tudo. Me sentia bem mais leve. O rosto de Yoshito ficou assustado.
-Então..Você gosta de mim, nem que seja um pouco? -Perguntou, um pouco corado. Fofo. Não vou tentar negar dessa vez, era fofo e pronto.
-Pelo visto sim.
-P-p-posso te beijar? -Perguntou enquanto olhava para o chão, totalmente corado.
-Nem precisa pedir.
Colei seus lábios no meu, delicadamente. Nossas línguas estavam em perfeita sincronia. Seu gosto era doce. Queria tocá-lo, mas não poderia, tinha que respondê-lo antes, de forma apropriada. Nos separamos pela falta de ar. Ficamos um pouco de tempo ali, entre beijos, até que voltamos.
Quando chegamos no andar, todos estavam no corredor, nos encarando. Olhei para baixo, estávamos de mãos dadas. Nos entreolhamos e coramos. Merda!
-Felicidades ao casal! -Comemorava Takeshi.
-Casal teu cu, seu arrombado. -Falei, enquanto o prensava na parede. Poderia ser capaz de matá-lo agora, mas o soltei. -Escuta aqui, não aconteceu nada demais! Não estamos saindo! Ele saiu correndo hoje de manhã pro terraço e eu fui atrás dele.
-E porque foi atrás dele? Nunca foi de dar bola pra ninguém -ACHO QUE A NORIKO QUER MORRER.
-ESSA É OUTRA HISTÓRIA DA PUTA QUE TE PARIU, ME DEIXEM EM PAZ, CARALHO! -Gritei, enquanto puxava Yoshito para o quarto. Tranquei a porta e escorreguei minhas costas na porta. Ele me acompanhou. Quando caímos no chão, acabamos dando algumas risadas.
Mesmo nessa situação, nos arrumamos e fomos almoçar com todos. O bom de se ter amigos retardados, é que você esquece todos os problemas.

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