7 de set de 2015

Dirty Love Game, Capítulo 4: Dúvida

Olhei no relógio, sete horas da manhã. Acabei dormindo na cadeira que ficava ao lado da cama. O quarto era privado, então ela era bem confortável. Achei melhor ir para a aula, mas meu cérebro diz que não poderia deixá-lo, não desta forma. Mas porque? Eu nunca me importei com tipo de coisa. Quer dizer, sempre protegia as pessoas que estavam sendo espancadas, mas não me importaria de ficar com ela no hospital até receber alta. Porque eu estou agindo assim com ele? Por favor, que seja porque somos conhecidos. Olhei para Yoshito. Sua ferida estava melhor, o médico disse que ele só precisava de repouso, não foi nada muito grave. Estou aliviado, nunca poderia me perdoar se algo acontecesse a ele. Espera, o que? Que tipo de pensamento é esse? Eu me perdoaria se isso acontecesse com Ren? Será que essa preocupação é só com ele? Espero que eu esteja ficando louco. Mas deixando isso de lado, com o que será que ele está sonhando agora?
Sonho de Yoshito
Abro os meus olhos, estou amarrado em uma cadeira. Não consigo mexer minhas mãos. O ar está ficando rarefeito, não consigo respirar, e alguma coisa dentro de mim me diz que não posso. Estava me afogando. A cadeira tinha uma pedra amarrada a uma de suas pernas. Acho que esse é meu fim. Não consigo ver mais nada. Estou perdendo a consciência.

Acordei em uma praia. Como fui parar aqui? Em cima de mim estava Ken. Estava totalmente molhado. Podia ver as gotas de água escorrendo pelo seu cabelo. A blusa que ele estava usando estava grudada no seu corpo, mostrando seus músculos. Antes que pudesse agradecer, sou envolvido em um abraço. Um abraço quente e caloroso. Não quero sair de perto dele. Estava tudo perfeito. Ficamos ali por alguns segundos.
-Graças a Deus! Não sabe o quanto me preocupei com você! E se você tivesse morrido?! -Ele começou a falar, desesperado. Não aguentei. Puxei seu rosto para um beijo.Calmo, quente, necessitado. Eu precisava de seus lábios. Precisava dele. Isso estava mais claro do que tudo. -Eu te amo, Yoshito. -Meu coração parou. Tudo estava perfeito.
Em questão de milésimos, um tiro o atinge. Seu corpo cai ao meu lado. Ele já não respirava mais.
Ken POV
Yoshito acordou gritando, acho que teve um pesadelo. Levantei da cadeira correndo e fui ao seu encontro. Seus rosto ficou pálido quando me viu. Acho que teve um pesadelo comigo.
-Yoshito! Está tudo bem, se acalme! -Não sabia o que fazer, acabei o abraçando. Suas mãos envolveram minha cintura, devolvendo o abraço. Nem percebi que estava sentado na cama o abraçando. O pior de tudo era, por que meu coração estava batendo tão rápido?
-K-Ken -Lágrimas brotaram dos seus olhos quando disse isso -V-Você tinha morrido! -Agora entendi tudo. Enxuguei suas lágrimas com a manga do moletom que estava usando.
-Quem quase morreu foi você seu idiota! Mas graças a Deus! Não sabe o quanto me preocupei com você! E se você tivesse morrido?! -Seus olhos se arregalaram quando disse isso. Pareci muito desesperado? Enfim, o que está dito não tem como mudar, coloco a mão na minha cabeça, em sinal de preocupação -Depois que disse o que estava combinado, que foi apenas uma coincidência, uns garotos começaram a te espancar atrás da faculdade, você estava sangrando. Tive que te levar da enfermaria para o hospital. Não sabe o quanto me preocupei. Sério. Não me perdoaria se algo tivesse acontecido com você.
-Então é por isso a dor no abdômen? -Ele pergunta, confuso.
-Sim. Você tinha desmaiado. Acho que Mao está por trás disso. Talvez tenha pago para eles. -Falei, minha preocupação era bem visível. Talvez os astronautas pudessem ver o tamanho dela.
-Calma Ken, o importante é que eu não morri -E soltou uma risada. Como ele consegue rir? -Espera, você não está atrasado para a aula? Não me diz que ficou preocupado comigo -Toda a pena que eu tinha dele, todo o pequeno sentimento que havia dentro de mim desapareceu. De alguma forma só foi preciso uma frase para acabar com tudo. Porém, ainda queria provocá-lo. Queria que ele soubesse o quanto sofri nos dias do colégio. -Sabia! Você ainda me - Beijei ele. Um selinho, calmo. Faria ele sofrer, de um jeito ou de outro.-O-o-qu -Interrompi ele com outro beijo, dessa vez um pouco mais fundo.
Impressionantemente, meu corpo reagia ao toque de nossos lábios. Já estava deitado em cima dele, na cama do hospital. Quando finalmente me dei conta do que estava fazendo, me afastei e fui para a cadeira de hóspedes. Tudo bem que queria encenar algo, mas estava gostando? Jura? Acho que eu ainda sou trouxa.
-D-Desculpe, meu corpo não obedecia aos meus comandos. -Dei um longo suspiro, com a mão na testa. Onde diabos eu estava com a cabeça? -Agora que acordou, eu já vou indo. Se cuida na volta pra casa, pega um táxi, deixei dinheiro na mesa do lado da sua cama.
Saí do hospital e fui com o meu carro para a casa. Quando fechei a porta, dei um soco nela. Não pode ser, eu não gosto dele! Tentava me convencer disso. Mas o que importa? Amanhã começam as férias de verão! Não preciso me preocupar com isso. Eu e meus amigos vamos para a praia!

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